Em muitas noites tenho desejo de enterrar o amor.
Socá-lo até fundo do "nunca mais".
O problema é ele florescer em cachos frondosos, coloridos,
num carnaval zombador de meu tormento.
finjo calada.
tudo bem, não me importo
espero murchada
tudo bem, eu suporto
passam uma, duas, três horas
a tempestade devastadora
ficou quieta, virou muda, uma santa.
Então, não sorriu,
me esguio e podo,
doloridamente,
doloridamente,
cada mortalha em pétala até desflorar novamente,
num vazio nu e vermelho,
de dor, de flor
que não sente.
que só mente
e ressente
até o último não.
foda-se a minha horta.